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Terça-feira, Fevereiro 19, 2008
Como a vida aqui em casa andava muito pacata, resolvemos procurar sarnas pra nos coçarmos e pegamos de uma vez só dois filhotes. E como nós gostamos de sarna da boa, um dos filhotes é uma boxer anoréxica do tamanho de um porquinho da índia.
A cachorrinha é toda fudida: magrela, não come direito, toma dois remédios por dia, tem uma cabeça enorme em comparação ao corpo e dois olhos esbugalhados que dão a ela uma aparência macabra. Fora que ela é meio pancada das idéias, anda toda torta; não sustenta cabeção que fica cambaleando, aliás, ela toda cambaleia quando anda. Pra piorar, a idiota num ato suicida ridículo se jogou do sofá anteontem, levou um baita tombão e agora manca. Dá pra piorar ainda mais. Ainda anteontem, depois da fracassada tentativa de suicídio, ela tentou de novo. Como a porta da cozinha não fecha direito, tem que bater com força. Então, quando eu fui dar o porradão pra fechar, a minha cadelinha emo-depressiva-quero-me-matar veio correndo na direção da porta, aí eu sem querer bati com toda força na cara dela, e a coitada voou longe.
Nem preciso dizer que me senti um monstro. A cachorra ficou em estado de choque e saiu correndo pra longe de mim, ganindo ainda por cima.
Agora está tudo bem, ela me perdoou e está dormindo no meu colo neste exato momento em que gasto meu tempo em frente o computador.
Mas a questão é: filhote odeia ficar sozinho. E a segunda questão é: filhote faz barulho pacaraleo quando fica sozinho. E isso nos leva, finalmente, a bela conclusão: ninguém dorme.
Imagina agora a situação: uma boxer, que cabe na palma da sua mão, ganindo as duas da matina, todos em casa fingindo que NADA está acontecendo só pra ver quem vai ser o primeiro trouxa a levantar da cama pra tentar calar a boca da cadela.
E eu pergunto: Quem é o primeiro trouxa que levanta?
E eu mesmo respondo: chapolin colorado Eu.
Depois tentar fazer a cachorra dormir e nada, resolvi colocá-la no meu quarto pra ela não se sentir sozinha e parar de ganir. Até então, tranqüilo, tudo resolvido, fui escovar os dentes. Só que... quando eu volto eu encontro a maior cagalhoada que essa cachorra filha da puta já fez. Não dava pra acreditar como um bichinho tão pequeno consegue produzir tanta bosta. E bosta muito da fedida mesmo. Fiquei tremendamente amofinado com tal situação em que me deparava, que até comecei a falar de maneira aviadada pra não mencionar a caralhada de palavrões que eu deixei de berrar pra não acordar ninguém.
Uma coisa eu descobri, se um dia alguém quiser me deixar profundamente irritado, a melhor maneira pra ela conseguir isso é ir até o meu quarto e fazer o cocô mais fedido que conseguir. Eu espero que isso nunca realmente aconteça.
Não restou muita coisa a fazer. Peguei a cachorra coloquei no lavabo de novo, e por mim pode ganir e latir a vontade, é bom que treina as cordas vocais.
A cena então era a seguinte: duas e quinze da manhã, a cachorra no primeiro andar latindo e ganindo e eu pra lá e pra cá levando merda de cachorro embrulhada em papel higiênico até a privada. Entupiu a privada hahaha.
Isso, obviamente, fez um estardalhaço grande, e acordou o senhor meu pai.
- Fabrício, o que tá havendo?
- Descobri que gosto de latir de madrugada. A Dora cagou no meu quarto, to limpando.
- Boa sorte.
Agora que a merda tá feita?
posted by FABRÍCIO CAVALLARI 12:12 AM
Quarta-feira, Fevereiro 13, 2008
Da série “Caricaturas surreais que habitam o Fórum”.
É muito raro conseguir entrar num elevador do forum que não esteja abarrotado de gente. Muitas pessoas andando pra lá e pra cá, e na hora que você, estagiário-banana, entra com a sua mochila abarrotada, todos te olham de cara feia como quem diz “se não tivesse a sua mochila aqui, minha vida seria muito mais fácil”. Sendo que, geralmente, quem te olha assim faz o tipo do ser humano tamanho GG. Aí você, estagiário-banana, que ainda não tem na sua vida a obrigação de ser politicamente correto, pensa e faz cara de “se não fosse essa sua MEGA pança, você seria bem menos HORRENDO.”
Mas enfim, isso não importa. O que importa foi que consegui um elevador vazio.
Ah, que vida boa. Subir do segundo até o décimo andar sem ser encoxado nem uma vez! Só tinham 3 pessoas no elevador!
Lá estava eu, tranquilão e ouvindo o batidão, como já dizia o Filosofo.
Até que... “tem uma alma preta dentro de mim”.
Como é que é?
“Tem uma alma preta dentro de mim”.
Olhei pro lado e tava lá uma velhinha do meu lado. Preta, preta, pretinha. Devia ter um metro e meio de altura, e ela se olhava no espelho.
E ela continuou “Tem uma alma preta dentro de mim. Muito preta. Preta mesmo. Mais preta que o tizil”.
O que fazer? Fazer nada, lógico. Essas pessoas adoram puxar papo com qualquer um ou qualquer coisa, até com postes. Fingi que absolutamente nada estava acontecendo.
“Sexto andar” disse o acessorista.
“Sorte que eu não sou racista e respeito”, disse a figura e saiu.
O outro banana, digo, estagiário, que estava no elevador comigo olhou pra mim como cara de “entendeu alguma coisa?”, e eu só fiz um levantar de sobrancelhas.
E tu achando que o teu escritório te deixava louco, né malandragem.
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posted by FABRÍCIO CAVALLARI 12:57 AM
Sábado, Fevereiro 09, 2008
Tempo
Tenso
Tento
Tenso
Tempo
Tempo
Tenso
Tento
Tempo
Tananan nanan nananan.
Temporiamente fora do ar. Tente mais tarde.
Bolas
Carambolas
Cara-caramba-cara-caraô.
Redial.
Mundial.
Sensacional!
Tananan nanan nananan.
Ma´ é burro mermo, tenta de novo.
Saco
Sacoviski
Bukowski
Agoravai
Agoravai
Agoravai
Agoravai,
Agloriavai
Agloriavai
Agloriavai
Agloriavai
A Glória vai?
Al Gore vai?
O Al Patino vai?
Não deu.
posted by FABRÍCIO CAVALLARI 2:16 AM
Segunda-feira, Dezembro 17, 2007
- Alô, boa noite, o Sr. Fabrício, por favor?
- Ele.
- Boa noite Sr. Fabrício.
- Opa, boa noite.
- Meu nome é Tremendo Filhadaputa, e sou do Banco Tiramos O Seu Couro.
- Ok...
- O senhor teria interesse em...
- Não to interessado! Não to interessado! Não to interessado! Não to interessado!
- Ahn?! O que?
- NÃO TO INTERESSADO! NÃO TO INTERESSADO! SOME CAPETA!
- Tudo bem, entendi! Boa noite!
Tu... tu...tu..tu...
Trate os outros como gostaria de ser tratado.
Seja efusivo ao telefone.
posted by FABRÍCIO CAVALLARI 9:17 PM
Terça-feira, Dezembro 11, 2007
PUM!
“Liberdade!”
Este foi o primeiro suspiro de vida de Afonso, o Pum fruto de uma feijoada.
Afonso acabara de ganhar liberdade, saíra da apertada prisão Ânuscáatrás, e queria ganhar o mundo.
Por estar em uma feijoada, foi fácil encontrar outros puns. Tentou fazer amigos.
“Olá! Eu sou Afonso, o Pum.”
Mas nenhum outro pum respondia. Puns, em geral, são muito preconceituosos com outros puns, não gostam de se misturar. O pum gosta de demarcar seu território e não divide com mais ninguém.
Tentou mais algum contato e nada.
Até que...
-Olá!
-Oi, quem é você?
- Sou Gilda, a Baforada.
- Oh! Meu nome é Afonso, o Pum.
- Prazer, Afonso. Que bom encontrar alguém pra conversar.
- È verdade, os outros puns não foram com a minha cara, e se eu chego perto de humanos eles fazem cara feia.
- Pelo menos eles só fazem cara feia. Se eu chego perto eles falam “ai, essa fumaça, fuma pra lá, me respeita” e me expanam.
-Tsc tsc tsc, odeio não-fumantes.
- Eu também!
- Temos tanta coisa em comum!
- Mas diga, como é ser expelida pela Boca? E pelo Nariz? Dizem que no Nariz tem dois salões, e os humanos até limpam quando vai rolar festa.
- É bacana, igual pular de bung-jump ao contrário e sem corda.
- Acho que deu pra entender como é.... Sabe, eu tenho histórias de Ânuscáatrás que fariam você se dissipar.
- Ah, então me conta!
Afonso e Gilda continuaram conversando.
Até que....
Passou um ônibus e fez um baita vento que levou o chapéu do moço, levantou a saia da menina e matou um pum e uma baforada de cigarro que estavam se beijando.
posted by FABRÍCIO CAVALLARI 1:32 AM
Dezembro era o melhor mês do ano. Mês o horário de verão, das férias, de ver a cidade enfeitada pro natal. Aí você cresce, e dezembro vira o mês mais pentelho do ano. Mês que as 6h da tarde, em plena hora do rush, o sol te frita como se fosse meio dia, e você derrete no transito caótico. Mês que você não entra mais de férias, apesar das aulas acabarem ainda tem que ir pro estágio.
E quando você está derrentendo dentro de um terno, andando pelo centro da cidade, um baita sol escaldante e vê papaisnoeis fofos, com renas fofas, comerciais fofamente irritantes no rádio em volume altissimo do vendedor ambulante, você quer mais é que as pessoas enfiem o espirito natalino no rabo.
posted by FABRÍCIO CAVALLARI 12:50 AM
Sexta-feira, Novembro 02, 2007
Gostaria que as pessoas fossem mais Chico Bento.
posted by FABRÍCIO CAVALLARI 2:16 PM
Segunda-feira, Outubro 22, 2007
Era a primeira vez que cagaria na casa do namorado. Estava sentada na privada do banheiro e estava apreensiva. Muito apreensiva. O namorado roncava na cama, ele já havia cagado diversas vezes quando estava na casa dela. Pelo menos ele não iria ouvir nenhum “tibum” de cocô batendo na água, isso era um alívio. No momento suas aflições poderiam se resumir em: empestear o banheiro com um possível mau cheiro de quem comeu repolho com lixo atômico, ou, a pior de todas, o cagalhão bater na privada com força e sujar tudo, e nem com o jato da descarga sair.
Ela amava o namorado, mas ia sentir vergonha se ele sentisse o fedor do seu cocô, ou visse a privada suja de marromerda. Uma vergonha tipicamente sua, pois o namorado peidava com freqüência na sua frente sem pudor algum, e até fazia numero dois quando a namorada escovava os dentes.
Estava na hora de vencer este medo maldito. Sentada na privada, ela começou a fazer força. Essa repentina prisão de ventre é puramente psicológica, pensou. Começou a contar, “um... dois... três...”. Saiu um pouquinho. Sentia o coco, anormalmente grande, sair. Uma verdadeira tortura, fazia muita força pra sair, era quase como perder a virgindade ao contrário, algo tinha que sair, e não que entrar, era na outra porta, e quem fazia força era ela.
Fez mais força e deu uma parada pra respirar. Aí, o meio cocô que tinha saído, quebrou. Tibum. E o pior, se deu conta que não tinha mais coco pra sair, basicamente o que sobrou de cocô estava pendurado. Pensou no que fazer, após fazer isso, chegou a conclusão que uma reboladinha seria o ideal para o cocô cair. Rebolou. Tibum novamente, cocô mergulhou com tudo na água da privada e foi pro fundo como se fosse uma ancora.
Havia suado um bocado. Mas missão cumprida, ela tinha cagado. Se limpou, e olhou a privada, nenhum sinal de merda, tampouco fedor no ar. Lindo. Deu a descarga toda feliz.
posted by FABRÍCIO CAVALLARI 12:12 AM
Segunda-feira, Outubro 15, 2007
Injusto. Totalmente injusto. Me faltam apenas alguns minutos de vida, e é só isso? No final das contas, foi isso que ficou reservado pra mim? Uma quarto de hospital vazio e frio?
Estou velha, aliás, sou uma velha. Velhos não podem exigir muita coisa.
Mas e aquela história do filme passando pela cabeça? Queria poder ver. Essas coisas de nostalgia caem bem nessas horas. Uma última olhada no meu bolo de aniversário de 5 anos, na professora que me ensinou a ler, no meu primeiro namorado. Rever o dia do meu casamento e dia do nascimento de cada um dos meus três filhos. O dia que eles casaram foi especial também. E quando soube que seria avó? Foi um pouco mais cedo do que eu esperava, quase morri, aliás, já estava me esquecendo que agora, de fato, estou morrendo.
Aliás de novo, onde estão os meus netos e filhos? Odeio isso, ficar fazendo perguntas o tempo todo, me sinto mais velha esclerosada do que sou. To vendo que esse papo de morrer na cama rodeada de netinhos é conversa pra boi dormir. Ainda mais que eles estão no colégio agora. Mas e os putos dos meus filhos? Me dediquei a vida toda à eles, e esses mal agradecidos nem pra pegar na minha mão nesse momento? Tá lá, todo mundo na porra da cantina do hospital engordando, e eu aqui resmungando sozinha. Caralho.
Onde eu estava? Alzheimer é demais também. Prefiro morrer a ficar louca. Morreria por um cigarro também, agora que estou morrendo. O cigarro com o filme da minha vida seria tudo de bom nesse momento. Parei de fumar, oficialmente, quando fiquei grávida. Mas é aquela coisa, ninguém realmente para, depois que as crianças nasceram, às vezes caía em tentação.
Acho que está chegando. Meu coração bate mais devagar. Não era pra ficar tudo escuro? Um túnel com uma luz, talvez? Porra nenhuma.
Marido to chegando, reserva uma nuvem com hidromassagem e espelho no teto.
posted by FABRÍCIO CAVALLARI 1:37 AM
Segunda-feira, Outubro 08, 2007
Acordou com raios de sol entrando pela janela. A claridade incomodou seu sono, tentou virar pro lado, mas não dava mais, se viu obrigado a acordar. Levantou da cama, e exibiu seu corpanzil gordo. Sua camiseta e cueca samba-canção claramente foram adiquiridas em outras épocas, provalvemente uma há muitos anos e quilos atrás.
Foi ao banheiro e se olhou no espelho, um dos momentos que mais odiava no seu dia. Lavou o rosto, escovou os dentes. Pensou em fazer a barba, mas teve preguiça, e nem precisava, não teria nada importante durante a tarde. Desviou o olhar para a pequena janela e viu o dia de sol que fazia lá fora. Voltou a mirar sua imagem bochechuda no espelho. Como seria mais romântico, mais charmoso e mais épico se fosse magro e estivesse nublado.
A depressão deveria ser exclusiva dos moradores de Londres, onde chove todo dia, ou de Paris onde as pessoas nunca comem e são magrelas. Não combina, não encaixa. De algum modo é brega estar na fossa quando se é gordo e mora no Rio de Janeiro. Gorduchos deveriam estar sempre felizes segurando uma coxinha de galinha, parece pecado estar de mau humor enquanto o sol sorri para todos, e depressão parece ser um capricho que só afeta os europeus, algo não digno de latino americanos calientes. Pensou nisso enquanto trocava de roupa.
Era segunda feira, acabara de acordar e coçar a bunda e tinha o dia pela frente. O dia. Um dia inteiro para fazer o que quisesse. Para que ir pro trabalho? Ninguém dependia dele. Ninguém se importa. Era funcionário público, ninguém se importaria mesmo. Além do mais, seu irmão era médico, lhe arrumaria um atestado. O dia seria seu. Faria o dia especial. Não deixaria que as próximas vinte e quatro horas fossem tão mediocres quanto as ultimas vinte cinco mil quatrocentos e quarenta.
Voltou para o banheiro, e fez a barba. Antes de sair, passou na geladeira e se serviu de uma colherada de doce de leite. Estava pronto.
Chegou na calçada, fechou os olhos, respirou fundo. Sentia-se livre, mais leve inclusive.
Quando seus olhos se abriram, viu o onibus que pegava todo dia para ir ao centro da cidade. Aquele que só passava de hora em hora, que tinha o mesmo preço do ônibus normal, entretanto tinha ar condicionado. Sem se dar conta, olhou o relógio. Estava atrasado outra vez e iria tomar bronca do chefe.
Naquele momento, todas as pessoas que ali estavam viram um gordinho sair correndo em disparada rumo ao ponto de ônibus.
posted by FABRÍCIO CAVALLARI 12:48 AM
Quinta-feira, Setembro 06, 2007
“Parece que você está escrevendo uma carta, gostaria de ajuda?”
Não, não e não. Pela quinta vez esta tarde, não.
Não estou escrevendo carta alguma, e não quero sua ajuda.
“Deseja me ocultar?”
Sim.
Puf!
Matei o clipse do Microsoft Word.
Homicídio Doloso Qualificado (motivo fútil).
Agravantes: reicidência (réu já havia matado outros clipses antes); motivo fútil ou torpe.
Atenuantes: agente menor de 21 anos.
Pena: reclusão de 12 a 30 anos.
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Estudar Direito frita o cérebro.
posted by FABRÍCIO CAVALLARI 12:55 AM
Sexta-feira, Agosto 17, 2007
Acabei de acordar de um belo cochilo num dos bancos do jardim da faculdade. Não é bem um jardim, é como se fosse uma praça cheia de árvores, não sei qual o nome tem isso, ou se isso tem nome, então chamo de jardim. Às vezes chamo de matinho, mas matinho pra mim é lugar pra mijar quando não se tem banheiro perto. Que seja, coloquei a mochila nas costas e voltei pro prédio pra ter a primeira aula da noite.
Um senhor anda do meu lado: negro, baixo, cabelos grisalhos e narinas enormes. Continuei andando. E esse velho tá com uma cara de que quer conversar comigo.
- Fazer uma cabana aí nesse mato! – disse o velho.
Olhei pro mato, não entendi nada.
Fiz cara de quem entendeu perfeitamente.
- É verdade, essa é uma boa idéia.
- É, né? Ninguém ouve nada!
- De maneira alguma, nadica – falei sem sarcasmo.
Das duas uma: usuário de drogas ou pessoa com a libido saindo por todos os poros.
- Dança pra cá, dança pra lá, ninguém percebe!
Pessoa com a libido saindo por todos os poros.
- Eu trabalho aqui faz oito anos – continou o velho todo empolgado em conversar.
“Foda-se” pensei no auge da minha alegria em ir pra aula.
- Caramba...
- Você é jovem, é bom ser jovem. Eu não me importo ser velho, assim, de envelhecer, eu dancei muito, gozei muito.
Nota: Segunda vez na conversa que “dançar” aparece como sinônimo de “fuder”, utilizar isso no meu vocabulário daqui pra frente.
Agora a conversa se tornava interessante, estavamos chegando perto do Pilotis. Fiz cara de interessado, e eu estava interessado de fato, adoro ouvir as pessoas falando da própria vida.
E o velho continuou.
- Quando eu tinha vinte anos, eu estava no Egito. Ia pra Gaza sempre, sabe Gaza? Esse lugar que tem guerra? Então, eu conheço aquela área ali todinha.
E a conversa foi continuando, até andei mais devagar pra ouvir um pouco mais.
Chegamos ao elevador, dei até logo pro velho.
Espero revê-lo.
posted by FABRÍCIO CAVALLARI 1:55 AM
Terça-feira, Julho 31, 2007
Fabricio diz:
essa mania de ser underground é chata pra cacete
Alguém aí faz anivesário em agosto? diz:
mto
Alguém aí faz anivesário em agosto? diz:
eu quero tocar pra meninas gostosas
Fabricio diz:
AHHUAHUAHUAUHAUHA!
Alguém aí faz anivesário em agosto? diz:
e elas EXISTEM
Alguém aí faz anivesário em agosto? diz:
de monte
Movimeto Bisonico, participe:
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=36846343
posted by FABRÍCIO CAVALLARI 1:11 AM
Sábado, Julho 28, 2007
Não tenho nada contra a essas idéias loucas de juntar artistas com estilos musicais opostos pra tocarem juntos, acho até saudável. Mesmo que não saia nada de bom, no mínimo é um belo tapa na cara daquele fan arrogante que acha que banda que ele ouve dia e noite é a melhor coisa do universo e o resto é ralé.
Até porque não adianta nada reclamar aqui, enquanto o artista tá lá fazendo dinheiro, e ganhando novos ouvintes. No fim das contas é positivo, mesmo que sempre tenha o revoltadinho pra torcer o nariz.
Já tocou o NX Zero com Armandinho, o CPM22 com Babado Novo, e o último resultado dessa brincadeira foi Marcelo Camelo com Sandy e Junior.
Achei muito bacana. Fãs de Los Hermanos são muito malas. Eu adoro a banda, mas tem um pessoalzinho chato, que às vezes faz a gente sentir vergonha de falar "Eu gosto de Los Hermanos". Fiquei empolgadão pra ouvir o resultado da gravação. E achei o link pra ouvir há poucos minutos, a música era "As quatro estações".
Valeu a intenção. Mas Sandy e Junior continuam sendo Sandy e Junior. E o Marcelo Camelo é espertão.
Vai lá fazer parceria com a Preta Gil que eu quero ver.
posted by FABRÍCIO CAVALLARI 3:11 AM
Sábado, Julho 14, 2007
"Kumusta Fabrício Cavallari!
Agora você sabe como dizer "Oi" em Tagalog!"
Eu adoro o Flickr.
Vai dizer que alguém sabia que existia um idioma chamado Tagalog?
Aposto que "tchau" em Tagalog deve ser algo como Atélog.
Ai,ai.
posted by FABRÍCIO CAVALLARI 5:13 PM
Quinta-feira, Julho 12, 2007
Euládio foi baleado. Quando se estatelou no chão já estava morto. Pobre Euládio, tem um nome muito feio. Pra piorar a sua situação recebeu um cartucho inteiro de balas no peito. Quando Antônia pegou o marido no flagra com Valesca, sua melhor amiga, não pensou duas vezes para pegar a pistola do marido e descarregar a munição no coitado, que acabara de tirar a outra pistola de dentro de Valesca.
Obviamente, Euládio foi parar no inferno.
- Ora, ora. Seja bem vindo, meu caro Euládio – disse o Diabo.
Euládio era meio burro, e não compreendia direito a situação. Ficou calado.
- Que cara é essa? Você está no Inferno! O que é melhor que um inferninho safado? Melhore essa cara, aqui você vai ficar como o diabo gosta – continuou o Satanás.
A Majestade Satânica tinha certa razão. O inferno parecia uma grande boate. A pista de dança estava lotada, todos pareciam se divertir muito. Havia mesas com todos os tipos de comida (todas muito gordurosas), barris intermináveis de cerveja - que apesar do clima quente estava gelada e gostosa -, enfim, uma festa muito grande.
Euládio, sem pensar duas vezes, foi cair na gandaia. Todas as mulheres eram lindas e fáceis, e Euládio já tinha batido o seu recorde de quando ia a micaretas no seu tempo de juventude, ou quando foi em festas GLS (uma época negra na vida de Euládio).
Eis que a música para. O Diabo aparece num palco que Euládio nem reparou que estava ali, e começa a falar para todos ouvirem.
- Vocês estão se divertindo? Espero que sim. Mas vocês não viram nada, se comparado à nossa próxima atração: Antônia e as Diabetes!
Nesse momento Antonia aparece no palco junto de dançarinas do diabo - que tinham cara de diabéticas realmente - e começa a gritar. Antonia parecia o diabo na versão feminina, tinha longos chifres, rabo e um tridente. Ela parecia muito brava, e os chifres davam uma aparencia macabra a Antonia, que sempre fora tão amável e gentil.
Os gritos começaram a ficar mais e mais agudos enquanto as diabetes dançavam balé. Euládio estava apavorado. Sempre odiou os gritos de Antonia, mesmo que ela gritasse pouco. Euládio queria que Antonia parasse de gritar, não estava agüentando mais. Sua cabeça e ouvidos doíam, não podia ficar pior.
Podia. Antonia, num passe de mágica, tomou a forma de sua mãe, e as diabetes tomaram forma de Antonia. Nesse momento a Dona Sônia, mãe de Antonia, era quem griatava enquanto pequenas Antonias rodopiavam no ar. Euládio enlouquecia, os gritos da sogra eram bem piores que os de sua esposa. Euládio ficou desesperado e caiu no chão, todos a sua volta começaram a rir dele. Desespero.
Euládio acordou. Tomou uma ducha. Voltou pro quarto e viu Valesca na sua cama.
Alguém acabara de entrar em casa.
"Amor, cheguei".
posted by FABRÍCIO CAVALLARI 11:48 PM
Sábado, Julho 07, 2007
Bem vindos ao Late Show on Msn! Como bem sabemos, esse é o seu programa que entrevista pessoas no msn, enquanto você congela seus bagos nessas noites frias e gélidas de inverno. As entrevistas aqui são reais, e foram ótimas para ajudar a combater o tédio.
Nome?
Marina Monassa Mendes
Idade?
16
O que vc gosta de fazer quando está chovendo?
Se estiver fora de casa, pegar chuva, se estiver em casa, ver filme.
Dedo preferido: dedão, indicador, médio, anelar ou mindinho?
anelar.. da mão esquerda !
Qual destes dedos é o melhor pra tirar cera do ouvido?
Cotonete, eu sou uma garota, sem perguntas nojentas !
Qual é o ph do CH4H2 ?
Não tenho a MÍNIMA ideia
Nome?
Pedro Rennó Marinho
Idade?
18!
Dedo preferido: dedão, indicador, médio, anelar ou mindinho?
anelar
Destes dedos, qual é o melhor pra tirar cera do ouvido?
Mindinho; isso é produtivo? vou lavar a mao
vc quer respostas objetivas com proposito estatistico ou perguntas sofismaticas como propositos literarios?
sinta-se livre
Maior medo, urologista ou dentista?
Uia, obstetra.
Uma música para descrever o seu ego
dificil isso, quer me perguntar num horario decente nao? ou dicente ou docentre
Pra finalizar, manda um recado pro amiga dona de casa que está nos lendo
Desliga o Fabricio e vai ler um livro. Meu, de preferencia.
Nome?
Marla Singer
Idade?
Uma dama não revela a idade
Prefere viver sem as mãos ou sem os pés?
sem as mãos.
Dedo favorito: dedão, indicador, médio, anelar ou mindinho?
indicador
Qual destes dedos é melhor pra tirar cera do nariz?
Indicador (auhauhauhuahuauahuaha)
Melhor que tampa de caneta bic?
sem dúvida.
Melhor pecado?
Essa é difícil. Está falando dos sete?
Tem mais de sete? Se tiver, por favor me apresente
rs...Não...to falando dos pecados os mais variados...tipo matar alguém é pecado e nao está na "lista. luxúria.
Defina sua dentista em uma palavra
Mercenária.
O ph do CH2H2 é?
To tentando lembrar a palavra....é....indiferente! (isso)
Se vc fosse um animal, que animal seria?
falcão.
Voce prefere cantores bregas ou cantores de musica negra de dread locks que namoram artistas globais?
Bregas
Pra finalizar, o que achou de ser entrevistada?
Ótimo. Minha primeira entrevista.auhauhauhahauahua
Foi bom pra vc, entao?
Sim, até acendi um cigarrinho pós aqui.
Excelente exemplo pra criançada.
Moral: Todos nós precisamos dormir cedo.
posted by FABRÍCIO CAVALLARI 2:49 AM
Sábado, Junho 16, 2007
Andando pela rua tropecei numa latinha. Olhei para o objeto que quase me fez levar um estabaco, e me senti atraído por ele. Peguei a latinha pra ver melhor. Como não dava pra ver direito a marca, passei a mão pra limpar. Eis que de dentro da lata surgiu o Bussunda vestido de gênio da lâmpada (no caso, gênio da lata de cerveja).
- Te concedo três desejos - ele disse.
- Po, Bussunda?! Era pra ter saido daí a Juliana Paes, ela é que é a garota propaganda!
- Ah meu caro, Juliana Paes concedendo desejos por aí, não ia dar certo. Além do mais, eu era garoto propaganda da Antartica também, e depois que morri, fui promovido a gênio propaganda. Só por causa dessa reclamação, te concederei apenas um desejo.
- Um só?
- Isso mesmo, vai, pede logo.
- Tá bom. Eu quero que todas as pessoas tolas e patéticas que são arrogantes, tomem conciêcia de que são tolas e patéticas, e assim parem de ser arrogantes.
- Seu desejo é uma ordem - disse o Bussunda gênio, e voltou pra dentro da latinha que sai voando pela rua.
Depois disso, todos os indies cariocas viraram fãs de Roupa Nova e a venda de camisas listradas em preto e branco despencou.
O mundo ficou mais sincero.
posted by FABRÍCIO CAVALLARI 4:15 AM
Terça-feira, Junho 12, 2007
Era uma daquelas noites de insônia, que a gente costuma ficar rolando na cama de um lado pro outro tentando dormir. Tinha falta de sono, mas em compesação tinha muitos gases. Uma sensação incomoda essa, mas uma hora passa de um jeito ou de outro. Veio a vontade de arrotar, e quando se tem vontade de arrotar ou a gente prende ou arrota, como estava sozinho, arrotei (embora às vezes o faça em público por displicência). E que arroto. Saiu da minha boca uma fumaça verde com um cheiro horrivel. Nunca tinha acontecido isso antes.
Liguei o ventilador pra fumaça dissipar, mas em vez disso, ela começou a tomar forma e ficar densa, perdeu a cor verde e o cheio ruim, não tinha mais cor, e tinha um cheiro familiar que não sei bem qual era, talvez uma mistura de grama, cachorro molhado, banana e chocolate. Era uma forma humanóide meio pequena, que aos poucos foi ficando mais detalhada, cada vez mais concreta e menos fumaça.
Uma hora acabou a fumaça, e na minha frente eu podia ver eu mesmo, só que com nove anos de idade. O que você faria se encontrasse com você criança? Essas coisas não acontecem com muita frequência, é dificil saber como agir. Olhei pra mim mesmo, digo, o meu eu criança, estava mais ou menos como eu lembrava que eu era naquela idade. Era baixinho, magro, usava um macacão jeans, tênis de lona e um par de óculos que ficava bem grande no meu rosto. Parei pra pensar um pouco, e achei que talvez o menino não fosse eu, podia ser só impressão. È muito mais fácil ver um fantasma de alguém morto do que o seu próprio fantasma, ainda mais quando se está vivo. Será que eu morri e não descobri? Posso ter morrido e ter esquecido de morrer realmente, e agora eu mesmo vim me avisar que tenho que morrer. Eu sou esquecido, mas esquecer da própria morte? Nunca pensei que chegaria a esse ponto.
Então conversei comigo, e foi mais ou menos assim o início da conversa:
- Oi.
- Oi.
- Qual o seu nome?
- Fabrício.
- De que?
- Simões Cavallari.
Medo. De fato, era eu.
- Que coincidência, também tenho esse nome e esse sobrenome; falei de maneira provocadora.
- Acho que é por que somos a mesma pessoa, só que com idades diferentes; respondeu o eu-criança, eu aos nove anos era bem perspicaz, nesse momento senti orgulho de mim mesmo.
- Certo.
- Quantos anos você tem?; o garotinho me perguntou curioso.
- Dezenove, e você?
- Nove. São dez anos! Eu estou dez anos mais velho!
- Aposto que você se acha bom em matemática por isso.
- E como estou feio! Esperava ser mais bonito com essa idade.
- Depois você continua viajando no tempo e verifica se os outros Fabrícios são bonitos. Agora deixa de conversa fiada, e me diz o que você faz aqui, e o mais importante como chegou aqui. Mas antes prova que somos a mesma pessoa.
- Como posso provar?
- Fale sobre mim, ou nós, caso você seja realmente quem diz que é.
- Tá. Bem, eu tenho só nove anos, ainda não aconteceram muitas coisas, mas ano passado eu levei um ponto na cabeça porque bati com ela na quina da cama da Letícia, a Let teve quatro filhotes, e quando eu não quero ir pra escola eu digo que tenho dor de cabeça, é a pior dor que tem, então funciona.
Tudo que o eu-criança falou era verdade. Parei e olhei pra ele com mais atenção. Ele começava a andar pelo meu quarto "Isso é uma guitarra?", "É! Não toca nela!". Pegou um chocolate na minha escrivaninha e começou a comer, justo, afinal, era nosso chocolate.
- Como você veio parar aqui?
- Não sei bem. A última coisa que lembro - disse colocando tudo que faltava do chocolate na boca, e começou a falar de boca cheia - é que estava no quintal chutando a bola no muro. Aí deitei na grama e fiquei olhando pro céu; quando ele disse isso eu me dei conta que fazia muito tempo que eu não deitava no quintal de tarde pra olhar as nuvens.
- E aí?
- Aí eu comecei a pensar como poderiam estar as coisas quando o tempo passasse, e fiquei preocupado, eu não quero ficar adulto. E aí eu vim parar aqui.
- Tecnicamente, veio pra pra época errada. Ainda moro com os meus pais, eles pagam as contas. Então relaxe, você terá no mínimo mais dez anos de mordomia.
- E o resto?
- Que resto?
- Profissão, o que vou ser quando crescer?
- Não sei, mas estou cursando Direito.
- Direito?! Ah não, eu não quero ser um mala que faz Direito! Aposto que a Letícia vai fazer Direito também; aos nove anos eu não fazia idéia do que era Direito direito, pensava que era decoreba de leis, mas achei engraçado o raciocíneo sobre a minha irmã.
- Ela vai sim. Agora chega de papo, não conto mais nada senão a vida perde toda a graça. E dê um jeito de desaparecer, porque eu já não me aguento, e com um outro eu, fica inviável, eu enlouqueço de vez. Anda logo, vai embora.
- Ah, deixa eu ficar mais um pouco.
- Não é não.
- Você tá parecendo a mamãe agora, quando a gente fica adulto a gente se torna os nossos pais, é?
- Eu não sei!
- Vai ser muito estranho, amanhã eu vou acordar, e pensar que eu tive um pesadelo em que eu tinha dezenove anos e era feio!; disse rindo.
- Há-há, uma vez eu tive nove anos e era feio, mas não era pesadelo! Pronto, ganhei. Agora cai fora.
De repente abriu um enorme buraco no chão, eu e o meu eu criança caimos, o certo seria cairmos na sala de jantar, que fica bem embaixo do meu quarto, mas caimos infinitamente.
Finalmente chegamos em algum lugar. Nos chocamos em um chão duro e fez muito barulho.
- O que houve?; me perguntou o garoto.
- Não sei, mas não estamos mais no quarto.
- Isso me parece um quarto.
- Mas não é o nosso, pelo menos não o da casa onde moramos.
- Tem alguem nos olhando ali na cama.
- Um homem. Será que viajamos no tempo? Pode ser que seja algum Fabrício do futuro.
- Boa noite, rapazes; falou o homem.
- Ah, perdão, eu me chamo Fabrício, desculpa invadir a sua casa assim, tão de repente.
- Eu me chamo Fabrício também, eu tenho nove anos, não culpe por nada.
- Eu sei disso, vocês são eu, por mais bizarra que essa frase possa parecer.
- Como sabe?
- O Fabrício menor está tirando meleca, e o outro está com o dedo na boca tirando algum resto de comida do ciso direito que ainda não foi arrancado. eu me conheço bem, acreditem.
- Não fica espantado com essas coisas?
- Aos quarenta e nove anos de idade, não se duvida de muita coisa. Mas o que vocês fazem aqui?
- Não sei, o nosso eu pirralho invadiu o meu quarto essa madrugada, e depois de súbito caimos, e caimos aqui.
- Eu estava preocupado com o futuro; quando disse isso o menino se sentiu muito grande.
- Natural, se preocupar com o passado não vale a pena, afinal não se muda o passado.
- Mas dá pra lamentar né.; falei.
- O que adianta muita coisa; respondeu ironicamente o eu coroa.
- Onde estamos? perguntou o menino.
- Minha casa, ué.
- Pera lá, se essa é a nossa casa, esse é o nosso quarto, cade a nossa mulher?; perguntei.
- Na sala estudando com o nosso caçula.
- A essa hora da noite?! Como você deixa uma coisa dessas?!; perguntou o eu criança aterrorizado.
- Haha, sempre fui atraido por meninas nerds! Sabia que acabaria casando com uma! Boa campeão!; gargalhei.
- Lamento não poder conversar, essa conversa comigo mesmo está interessantíssima, mas já já a patroa vem dormir, e essa é uma hora sagrada, como vocês bem me entendem. E hoje eu jantei só uma saladinha pra não ficar com a barriga muito cheia, táticas que se aprende com a velhice. Enfim, boa noite!
Antes que pudessemos nos despedir, o coroa estalou os dedos e desaparecemos.
posted by FABRÍCIO CAVALLARI 1:39 AM
Quarta-feira, Maio 30, 2007
São três horas da manhã de terça pra quarta feira. Estou de meias, calça de moletom, camisa do Kiss, um corte de cabelo que me faz parecer o maldito Harry Potter, e há meia hora sentado em frente ao computador tentando escrever alguma coisa que preste. Fora que o Word sublinhou de verde toda a última frase que escrevi, porque ele acha que o certo seria "meia hora sentada". Nesse exato momento ainda me vem à mente a voz pro professor de cristianismo perguntando "qual é o sentido da vida?", uma pergunta extremamente cretina que ele faz toda aula, ainda mais considerando que vários intelectais, todos com muito tempo livre, escrevem livros e livros sobre o assunto e morrem sem encontrar a resposta. Pra finalizar: que frio filho da puta.
Vamos tomar uma cachacinha pra espantar essa friaca, brindar esta madrugada patética, e esquecer tudo o que eu escrevi até agora.
Tin-tin.
posted by FABRÍCIO CAVALLARI 3:26 AM
Domingo, Maio 20, 2007
- Oi, você gosta de poesia?
Ouvi a pergunta. Sabia do que se tratava.
- Já sei, você é uma daquelas pessoas que vende a poesia e o preço é quanto a pessoa acha que vale, acertei?
- Acertou!
- Certo, certo.
Eu me compadeço com os artistas, ô racinha sofrida. As pessoas ralam pra exibir a arte, e qualquer um chega e diz "que merda, heim". O bacana é que na maioria das vezes, as pessoas estão cobertas de razão. Mas como eu tenho coração de mateiga, eu compro essas poesias todas que as pessoas vendem na rua. Meu método é o seguinte: eu coloco a mão no bolso e pego duas moedas, o poeta pode dar sorte de ganhar até dois reais, ou se fuder e ganhar dois centavos. Afinal, quem sou eu pra avaliar a arte/merda dos outros?
Coloquei a mão no bolso, tinha uma moeda só. Enquanto revirava o pano a procura da moeda, olhei pra moça que me vendia as poesias. São esses "hippies new generation" que vagam por aí. Deus sabe daonde eles vêm, só vejo as figuras quando aparecem do nada vendendo suas mercadorias, nesse caso, poesia. Essa nem tinha tanta cara de hippie assim, era gorda. Onde já se viu um hippie gordo? Hippie tem que ser magricela, e não aparentar comer 3 big mac´s por semana. Enfim, achei a moeda.
- Nossa, deu sorte. Vai levar a minha moeda de um real.
Três dias depois.
Subi no ônibus na Av. Rio Branco. Já devidamente acomodado num banco, coloquei a mão no bolso do paletó. Que papel seria esse? Ih, uma poesia! Eu lembrava ter comprado de uma gorducha uns dias atrás em frente a faculdade. Essas poesias costumam ser uma merda, nem sei por que compro essas porcarias, eu devo ter mesmo um coração de manteiga. Sem muita expectativa, comecei a ler. A primeira estrofe era muito cafona. A segunda estrofe começou com um bom verso e os que seguintes também eram bons. As outras estrofes foram interessantes. Reli a segunda estrofe. Gostei mesmo. Guardei no bolso outra vez.
Uma semana depois.
Ploc! Estourei uma bola de chiclete. Passos rápidos pelo corredor do Forum. Ploc! Outra bola de chiclete. Rodei a maçaneta. "Bom dia, bom dia". Ploc! Esse chiclete é ótimo pra fazer bolas. Ploc! Hora de cuspir o chiclete, não é mais hora e lugar de mascar e fazer bolas. Hum, só mais algumas enquanto eu ligo o computador. Ploc! Ploc! Ploc!
Preciso de um papel pra embrulhar esse troço. Ploc! Achei o papel! Ploc! O que é isso? Ah, aquela poesia da semana passada, eu gostei dela. Pena que não tem mais nenhum outro papel. Vou rasgar só um pedacinho aqui do canto pra embrulhar o chiclete.
Ploc...
posted by FABRÍCIO CAVALLARI 11:51 PM
Quinta-feira, Abril 26, 2007
Uma pausa no estudo. Vou descer e tomar um mate. Degraus, degraus, degraus, mais um, outro e mais outro, opa, chão. Caramba, será verdade?
Estou vendo uma figura de barba ruiva, sandália de couro, um shortinho e camisa de botão com uma estampa cafona. Vou olhar outra vez. Parece que é.
Que coisa mais inusitada, Rodrigo Amarante acaba de passar na minha frente e entra no banco Itaú. Eu sabia que estudar demais ia acabar me deixando louco, essas coisas fazem mal tenho que parar com isso. Por via das duvidas vou esperar e esperar o sujeito sair do banco. Pam pam pam pam.... Cacetóides! É o Amarante de verdade! Que vontade de chegar pra ele e perguntar "hum, certinho?", mas ia ser uma piada muito infame.
Enfim, tenho que voltar ao mundo dos mortais, acabei o mate, voltando pra biblioteca agora. Mas eu preciso compartilhar isso com alguém, vou mandar sms.
As normas constitucionais plenas são aquelas auto-aplicáveis que, opa, telefone tá tocando. Tenho que sair da sala, se eu atender aqui dentro esse exercito de nerds me come o fígado.
- Alô.
- Onde ele tá??
- Oi, Clarissa!
- Me diz, você viu aonde?
- Bom... ih, ele tá na minha frente.
- ONDE?
- Biblioteca.
- Beijo!
- Tchau!
O cara tá na minha frente. Não é fila do pão, é fila de livro da biblioteca, mas tá aqui.
- Oi...
-Oi.
- Eu gosto muito das suas músicas.
- Obrigado!
- Fala Amarante!!
Chegou o Felipe da minha sala, um cara muito bonachão.
- Fala.
- E aí, acabou a banda? Mas o truco continua!
- Continua sim!
- Vai ser no Pires agora, é?
- Ih, ó o cara todo boêmio!
- Hahaha.
- O lance do truco foi bom pra descontrair.
- É foi bom mesmo.
- Queria te dizer, as suas músicas...
Não consegui terminar de falar. Não que não achasse palavras, pelo contrário, queria dizer muita coisa até. Diria que mesmo nem conhecendo ele, eu já gosto dele. Que ele cantou e encantou a minha vida com algumas palavras e alguns acordes. Que só de vê-lo no palco dá pra sentir que ele é boa gente. Mas não disse nada, não consegui.
Apertamos as mãos, eu sorri, ele sorriu de volta.
Rodrigo Amarante, foi um prazer te conhecer.
posted by FABRÍCIO CAVALLARI 12:23 AM
Sábado, Março 31, 2007
Vontade de escrever uma poesia, não sei por quê. Devia estar prestando atenção na aula. Ah, economia, espero não reprovar. Todos estão tirando duvidas, e eu quero escrever uma poesia. Por que eu insisto nessas bobagens? Custa prestar atenção na aula? Custa. Se eu ao menos soubesse escrever poesias, teria uma desculpa. Eu não sei resolver os exercícios de economia, nem fazer poesia. Algumas pessoas deixam a classe, também, são 10:20 da noite. Parece que a aula vai acabar, clima de fim de aula. O professor começa o capitulo 7 do livro, e eu não li nem o 1, grande problema. Clima de fim de aula, mas o professor insiste em ensinar economia as 10:25 da noite de sexta feira.
Estou mais relaxado agora, escrever é bom pra essas coisas. E quem me vê escrevendo na aula, acha que estou fazendo anotações, ainda tiro onda de estudioso. Sou um babaca mesmo. Acho que vou escrever até a aula acabar. Me mantém ocupado, me distrai e não me deixa dormir. Porra, 10:30, o professor vai dar mais matéria? Alguém me pergunta se eu peguei o valor do preço da oferta, respondi dizendo que estou voando. Eu gosto de voar. Modéstia a parte, sou mais a minha imaginação que a economia.
Escrevi meia pagina de caderno já, e nenhuma poesia. Quero um café, quero ir ao banheiro também. Que droga, não quero reprovar em economia. Esse sábado eu coloco a matéria em dia, promessa. Merda, eu sempre quebro promessas. Não gosto, mas quebro, ainda mais quando me fazem quebrar a cara. Eu quebrei o pé duas vezes já, era criança e futebol era a coisa mais importante na minha vida.
10:40, já deu, vou embora.
posted by FABRÍCIO CAVALLARI 12:23 PM
Domingo, Março 25, 2007
Tem um comercial rolando no rádio que é muito interessante. Uma voz feminina fala "Sexo é vida, a Postal Medical Service informa que 1 a cada 3 homens sofre de ejaculação precoce". Depois fala mais alguns problemas sexuais, e diz que para acabar com todos eles e ter trepadas alto nivel, é só ligar pra lá que eles ajudam.
Certo, certo. Agora pense em 3 amigos seus. Pensou? Há! Um deles tem ejaculação precoce! Pelo menos de acordo com a pesquisa da Postal Medical Service. Gozado, não?
Agora, a pergunta que não cala: qual dos seus amigos é o ligeirinho?
Mistério no ar...
posted by FABRÍCIO CAVALLARI 2:45 PM
Quinta-feira, Março 08, 2007
Meu relógio marcava 13h35min e eu estava morto de fome. As audiências começariam às duas da tarde em ponto, tempo suficiente pra comer alguma coisa e tapear o estômago. Sai do gabinete e fui me aventurar pelos kafkanianos corredores do Forum. O ponteiro do relógio andou mais um pouco, e eu continuava perdido andando pra lá e pra cá. Finalmente, uma lanchonete. Eu que estava meio desanimado comecei a sorrir, coxinhas de galinha e bombas de chocolate estão dançando dentro da pequena vitrine do estabelecimento. Fiquei muito feliz, ser jurista tem o seu lado bom, quem diria, almoçar coxinha de galinha e bomba de chocolate? Tudo que eu pedi a deus. Peguei a carteira dentro do bolso interno do palitó, quanta alegria em meu coração.
Pois é, pena que dentro da carteira tinham só três reais. Desespero. Aflição. Fome. Não dava pra gastar o dinheiro, tinha que voltar pra maldita faculdade de ônibus. A culpa é sempre da faculdade. O que fazer da vida? Tortura mental saber que iria comer só às onze da noite quando chegasse em casa. Preciso urgente convocar o meu anjo da guarda.
-Alô, Livia?
-Oi, Fabricio!
-Você tá no TJ?
-Tô sim!
-Maravilha! Preciso de um favor!
-Manda.
-Preciso comer e não tenho dinheiro, me empresta algum?
-Ih...
-Ih?
-Acabei de comprar dois sacos grandes de jujuba, eu adoro jujuba né. Então, tô sem grana.
-Bolas...
O papo se estendeu apenas alguns segundos mais, afinal estamos em horário de trabalho, e somos pessoas sérias. Desliguei o celular. Olhei pra coxinha e pra bomba de chocolate. Elas pareciam tão distantes agora. Fundo do poço, só me resta rezar pra não desmaiar de fraqueza. Ó, vida ingrata.
-Oi, quanto você tem aí? , me perguntou uma moça loira, meio coroa, mas uma coroa enxuta e bem vestida, gatona.
-Tenho três reais.
-Eu ouvi a sua conversa, faz o seguinte, eu te dou dois reais pro ônibus e você usa esses três pra comer.
Eu simplismente amo as mulheres, essas criaturas divinas, bondosas, que ouvem a conversa dos outros e ajudam estagiarios famintos a não morrerem de fome. Agradeci quase de joelhos a coroa enxuta, e agora ela parecia muito mais enxuta pra mim, acho até que ela se parecia com a Vera Ficher se não me falha a memória.
Não deu pra comer a coxinha nem a bomba de chocolate, mas comi o melhor pastel de carne da minha vida.
posted by FABRÍCIO CAVALLARI 1:14 AM
Terça-feira, Fevereiro 27, 2007
Quando a gente já tá quase se esquecendo da faculdade, das aulas, dos professores e de todas essas coisas batutas que envolvem uma vida universitária bacana, chega o mês de fevereiro, e junto com ele chegam os calouros pedintes de dinheiro nos semáforos da cidade. E lá vieram os recém universitários pedirem pra mim.
O sinal fechou na Avenida das Américas, parei. Apoiei o braço na janela do carro, suspirei. Mais à frente dois sujeitos sujos de tinta abordavam os outros motoristas. Não ia tardar chegar a minha hora. Quando ele me perguntou se eu tinha trocado ou moeda, eu já estava pronto pra mandar um "não".
Maldita hora que olhei pro calouro. Ele era gordo. Não bastasse ser gordo, usava óculos. Não bastasse ser gordo e usar óculos, ainda tinha cara de bobo. Pra piorar estava sem camisa, e tinha os mamilos pintados de branco. É maldade deixar gordos sem camisa em público, ainda mais com os mamilos pintados de branco. E agora? Como dizer não pra uma criatura indefesa como essa?
Olhei pro calouro, o não ficou engasgado. Disse iria checar o porta-moeda. Acontece que eu também sou universitário, e sem estágio remunerado, logo estava falido. Disse que não tinha trocado algum.
Ele parecia conformado, deve ter recebido muitos nãos dos motoristas. Virou de costas e foi embora.
Fiquei com pena, desejei ter ao menos alguns centavos para ele. Mas o mundo é muito cruel, nas costas do calouro estava escrito "Medicina" e uma seta que apontava em direção ao seu cofrinho gordo.
Gargalhei, engatei a primeira.
posted by FABRÍCIO CAVALLARI 12:54 AM
Sábado, Fevereiro 03, 2007
Palavras com gostinho de bacalhau
Quando estou contente
Mostro o dente
Quando estou infeliz
Coloco o dedo no nariz
Se tudo vai bem
É porque gosto de alguém
Se tudo vai mal
Me fecho no quintal
Novalgina é um remédio
Rima com muita coisa
posted by FABRÍCIO CAVALLARI 1:03 AM
Sábado, Janeiro 27, 2007
É impossível ignorar, começou mais um big brother. Nem quero entrar no mérito dos participantes, que as pessoas falam tão mal, dizendo que todos os homens são burros e galinhas, e as mulheres igualmente burras e igualmente galinhas. Tudo bem, vamos lotar uma casa com oligofrenicos saradões que isso dá audiência, sem problemas. O que é difícil de engolir é o Pedro Bial chamá-los de heróis. "Vamos saudar os nossos heróis!" diz o apresentador. Combatentes, lutadores, vencedores, e por aí vai.
Onde está o heroísmo? Ficar numa casa com piscina, academia, sauna, comida e bebida de graça, festas, tudo como o diabo gosta, e ainda ser chamado de herói? Eu quero essa vida pra mim!
O cara fica lá naquela casa o dia todo. Sentado na beira da piscina, passa uma gostosa pra cá, uma gostosa pra lá. Passa filtro solar na bunda geometricamente perfeita da gostosa, dá comida na boquinha da gostosa, até toma banho com a gostosa e ensaboa as costas dela! Herói?! Eu mereço...
Modéstia a parte, herói sou eu. Eu acordo todo dia com uma baiana arretada cantando musicas pra louvar o Senhor. Tenho até pena Dele que vai aturá-la quando ela partir dessa pra melhor. Se ela ainda fosse gostosa, mas nem isso! As "big sisters" daquela casa maldita são divinas, a moça que trabalha aqui em casa é big literalmente, deve dar uns dois de mim e ainda sobra.
Como estou de férias, eu acordo em geral na hora do almoço. E só sair do quarto que ela vem gritando "Fabrééééciooo, vem cumeeeeeeee!". Eu agradeço de todo o coração, e digo que estou sem fome, e que bater um prato de arroz com feijão no momento que se acorda, nem é legal. Mas sabe como gordo é, não tem dessas frescuras com comida, e meia hora depois ela me vem com uma montanha de arroz, dois bifes e dois ovos no prato e fala toda feliz: "agora que eu fiz você tem que comer né!". De inicio eu achava que era excesso de boa vontade, mas desconfio que tenha um certo sadismo dela ao me ver empurrar a comida pra dentro com a minha cara recém acordada de zumbi.
Enquanto eu acordo de bode, dor de cabeça, e com uma baiana histérica me enfiando comida pela goela, os nossos valentes heróis do big brother dormem de conchinha com deusas e acordam com aqueles seios perfeitos roçando suavemente sobre seus rostos. Muito fácil ser herói desse jeito!
No BBB8 eu me vingo, e convenço a moça que trabalha aqui em casa a se inscrever nesse programa. Não vai sobrar nem Bial pra contar historia.
posted by FABRÍCIO CAVALLARI 2:32 AM
Quarta-feira, Janeiro 24, 2007
Caro Leitor,
Caso você exista, vai uma dica pra ler os próximos 3 posts. Eles tem uma ordem para total leitura e compreensão.
Comece lendo o post de terça feira 11:04 da noite, é o primeiro. Depois leia o seguinte, o de terça feira 11:29 da noite.
Para finalizar vem o de quarta feira 12:05.
Obrigado pela atenção.
Abraços deste que vos escreve (tão mal).
posted by FABRÍCIO CAVALLARI 12:11 AM
...continua
Fila do elevador da empresa. Alberto espera. Se espreguiça, boceja e estala as costas. No meio do bocejo algo lhe chama a atenção mais a frente na fila. Que filé, pensou. E era um filé mesmo. Não tinha reconhecido, mas se tratava de Leda, uma paixonite dos seus tempos de colégio.
Alberto pensava que seria lindo casar com Leda, ela tinha cara de que daria uma ótima mãe para seus filhos, e posteriormente uma ótima avó. Até nome de avó Leda tinha. "Ela me lembra a Leda. Ah, Leda...", suspirou enquanto tirava cera do ouvido com o dedo mindinho. Chegou o elevador.
Ah, essa é a melhor hora pra coçar o saco, refletiu. "Todo mundo olha pros números dos andares que piscam enquanto o elevador sobe, e dá pra dar aquela coçada esperta", continuou a sua reflexão. Agora eu dou aquela coçadinha no nariz como nada tivesse acontecido, pensou malandramente. Não precisa ir muito longe pra saber que se trata de idiota. Por alguma razão sentiu vontade de espirrar. Atchim!, espirrou.
-Ai, que nojo! Coloca a mão na frente quando for espirrar!
-Desculpa, desculpa.
-Odeio gente idiota.
-Eu também odeio, os idiotas estressadinhos são os piores.
-Amigo, você espirrou em cima de mim! Alberto você é um idiota.
Ahá, então realmente era ela! O seu instinto-Leda continuava afiadíssimo.
-Você se lembra de mim!
-Não tenta bancar o engraçadinho, tá escrito nesse seu crachá aí.
-Ah tá...
-Meu andar, passe bem.
Alberto coçou a cabeça...
"O que eu faço agora com essa ereção?"
posted by FABRÍCIO CAVALLARI 12:05 AM
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